Jane Austen:
Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de
ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de
vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso, mas imprudente senhor, no
entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos
para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita
lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela
esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também
uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína — recompensada,
ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que
nasceu.
* * *
Retrata o balneário de Bath, Inglaterra, frequentado por
Jane Austen e sua família, na obra protagonizada por Catherine Morland. Em meio
aos passeios e bailes, a jovem conhece outros jovens da cidade, entre eles John
Thorpe e Henry Tillney, inseridos no mundo da literatura e da história,
revelando assim à ingênua Morland os deleites de grandes romances. O General
Tillney, pai de Henry, convida os jovens para uma visita em uma de suas
propriedades, a Abadia de Northanger, estadia aceita prontamente pela moça
animada com o clima de mistério e conhecimento. Com os delírios da produção
gótica, Catherine entra num conflito entre ficção e realidade durante suas
experiências literárias e sua estadia na casa, cujo ambiente remete ao antigo,
ao sombrio e ao fantástico.
* * *
Bonita, inteligente, rica – e solteira -, “Emma” é mimada
por seu pai, adorada pela sociedade e amada pelos seus amigos e, por isso, não
quer e acredita que não precisa de envolvimentos amorosos ou casamento. Porém,
uma das coisas que mais gosta de fazer é tentar resolver a vida romântica de
outros. Mas quando ignora os avisos de seu bom amigo Mr. Knightley e tenta
arranjar um companheiro apropriado para sua protegida Harriet Smith, faz planos
que têm consequências inesperadas. Com sua heroína imperfeita, mas charmosa,
“Emma” é muitas vezes citado como a melhor obra de Jane Austen.
* * *
Fruto da fase mais madura da autora, o romance traz a
história de uma jovem órfã que é adotada por seus parentes ricos, apresentando
conflitos que envolvem amor e contratos sociais, escravidão e civilidade,
riqueza e autopercepção – sempre com o toque irônico de Austen, sua marca registrada.
Ainda que o livro aborde vários temas, a principal questão é a busca da
identidade e do verdadeiro amor. Por mais de dois séculos o livro divide os
leitores: por um lado, “MANSFIELD PARK” é o trabalho mais autobiográfico de
Jane Austen, refletindo o mundo de pretendentes religiosos e proprietários de
terra, das caçadoras de maridos, dos esnobes e dos tolos do interior – no qual
a escritora viveu e procurou o amor. Entretanto, o texto parece entrar em
conflito com as tradicionais heroínas de Austen, uma vez que Fanny Price é
surpreendentemente contida e passiva, fato que tem aturdido por décadas os
críticos e os fãs da autora. As questões sociais também são discutidas na obra,
sugere-se pela crítica especializada que o título se refere ao julgamento de Mansfield,
a decisão inglesa legal e histórica tomada pelo chefe da Justiça Lorde
Mansfield, segundo a qual foram estabelecidos os primeiros limites quando à
escravidão na Inglaterra. No romance, Fanny surpreende sua família adotiva ao
levantar a questão sobre o envolvimento deles com a escravidão. As cartas de
Jane Austen escritas na época nos informam de uma paixão por Thomas Clarkson,
um popular abolicionista, o que justificaria o envolvimento da autora com estas
questões sociais. Jane Austen, como os seus personagens, cresceu em uma zona
rural na Inglaterra entre a classe abastada e religiosos, cujos hábitos e
negócios ela observava com perfeição e, às vezes, com uma honestidade brutal e
reveladora. A sua memorável linguagem, a sua sagacidade satírica, o seu
delicado senso de humor e as complexas caracterizações de luta moral no coração
das famílias, além das alianças românticas, contribuem para o estilo atemporal
da autora. O tema prevalecente na obra continua relevante: a necessidade de
homens e mulheres encontrarem a sua identidade e fazerem as suas próprias
escolhas - ainda que a sociedade, por sua natureza, tente os fazer seres
dependentes, sem força e preconceituosos.
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Persuasão:
Jane Austen começou a escrever ‘Persuasão’, seu último
romance completo, após ter terminado de escrever Emma, e concluiu-o, em agosto
de 1816. O livro foi publicado, postumamente, em 1818 e serviu como base do
roteiro sobre o romance dos personagens interpretados por Sandra Bullock e
Keanu Reeves, no filme ‘A Casa do Lago’, de 2006. ‘Persuasão’ costuma ser
associado a outro de seus romances, ‘A Abadia de Northanger’, pois além dos
dois livros terem sido originalmente publicados em um único volume, ambas as
histórias são situadas na cidade de Bath, um balneário termal onde Jane Austen
viveu de1801 a 1805. O enredo deste empolgante livro gira em torno dos amores
de Anne Elliot que se apaixonara pelo pobre, mas ambicioso jovem oficial da
marinha, capitão Frederick Wentworth. A família de Anne não concorda com essa
relação e a convence romper seu relacionamento amoroso. Anos após Anne
reencontra Frederick, agora cortejando sua amiga e vizinha, Louisa Musgrove.
‘Persuasão’ é amplamente apreciada, pois tem uma simpática história de amor, de
trama simples e bem elaborada, e mostra o estilo de narrativa irônica de Jane
Austen. Além disto, é original, pelo fato, entre outros motivos, de ser uma das
poucas histórias da escritora que não apresenta a heroína em plena juventude. O
romance também é um apanágio ao homem de iniciativa, através do personagem do
capitão Frederick Wentworth que parte de uma origem humilde e que alcança
influência e status pela força de seus méritos e não através de herança.
* * *
Embora não seja o primeiro romance escrito por Jane Austen,
RAZÃO E SENSIBILIDADE foi o primeiro de seus romances a ser publicado, em 1811,
sendo que o título original da obra era “Elinor and Marianne” e era escrito sob
a forma de um romance epistolar. Revisto alguns anos depois, Jane Austen
alterou o título e a estrutura da narrativa, mantendo entretanto o seu tema
central: a necessidade de se encontrar um meio termo entre a paixão e a razão.
O enredo, embora simples, não deixa de ser profundo e
questionador: a história se estrutura em torno das irmãs Dashwood, Elinor e Marianne,
que na Inglaterra dos últimos anos do século 18, ficam desamparadas com a morte
do pai, cujas propriedades são deixadas como herança para um filho do primeiro
casamento, obedecendo-se às leis inglesas. Bonitas, inteligentes e sensíveis,
as irmãs Elinor e Marianne, sua mãe e sua irmã menor, Margareth, mudam-se para
um chalé oferecido por um parente distante. Sem dotes a serem oferecidos para
seus casamentos, Elinor, o arquétipo austeano da razão, e Marianne, o da
sensibilidade, têm pouca oportunidades de conseguir um bom casamento, mas a
grandeza de seus sentimentos – a sinceridade e a fidelidade do coração de ambas
– se revela importante contra a hipocrisia de uma sociedade preocupada apenas
com os bens materiais.
Jane Austen é uma mestra em expor as sutilezas do jogo que
se estabelece entre nobres insensíveis, a classe média ambiciosa e o casamento
como meio de enobrecimento. Nada nos autoriza a dizer, como se tem visto, que é
apenas um romance sobre “intrigas domésticas” ou sobre “uma irmã racional e
outra sentimental”. Ao contrário, é apresentada uma questão sempre relevante e
recorrente nos romances de Jane Austen: será que o que parece útil a curto
prazo vale a pena ser vivido a longo prazo? Será que a ambição pode garantir
verdadeiramente conforto e riqueza maiores? Aqueles que seguem apenas os seus
sentimentos podem ter melhores resultados? É o que parece dizer Jane Austen,
entre as tantas observações, comentários e descrições apresentadas ao longo da
trama, concluindo que a virtude ainda é necessária e que as boas intenções não
são necessariamente vitimadas, quando todos mais se mostram ambiciosos.
Essa obra é um retrato mordaz de tipos interesseiros, cujo
objetivo de vida é enriquecer e projetar-se socialmente.
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Lady Susan é uma novela curta escrita em 1805 por Jane
Austen, mas só publicada postumamente pela primeira vez em 1871. Escrita de
forma epistolar, é através da intensa correspondência trocada entre Lady Susan,
seus familiares, amigos e desafetos que se constrói a narrativa.
Lady Susan, viúva recente e empobrecida usa da intriga e da
sedução para alcançar seus objetivos: conseguir para si mesma e sua filha
adolescente, Frederica, a quem negligenciara a educação, casamentos vantajosos.
Totalmente inescrupulosa, não se importando com os sentimentos da jovem e de
quem mais se opuser como um obstáculo para alcançar suas metas.
Jane Austen nos apresenta uma critica mordaz e ao mesmo
tempo apaixonante dos costumes da sociedade inglesa da Regência.
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É uma verdade universalmente aceita que um zumbi, uma vez de
posse de um cérebro, necessita de mais cérebros."
Assim começa "Orgulho e preconceito e zumbis", uma
releitura trash do popular romance de Jane Austen. A abertura dessa
cultuadíssima versão de Seth Grahame-Smith para a obra do século XIX já destaca
as surpresas geradas pela praga misteriosa que se abateu sobre os campos
aristocráticos do Sul da Inglaterra, onde os defuntos estão retornando à vida e
partem crânios de pessoas comuns para devorar seus miolos.
No romance clássico, a autora iniciava a saga das casadouras
irmãs Bennet com o aviso: "É uma verdade universalmente reconhecida que um
homem solteiro, possuidor de uma grande fortuna, deve estar em busca de uma
esposa." Agora, porém, no tranquilo vilarejo de Meryton, nossa heroína, a
guerreira Elizabeth Bennet, treinada nos rigores das artes marciais, está
determinada a eliminar a ameaça zumbi. Até que sua atenção seja desviada pela
chegada do altivo e arrogante Sr. Darcy. Ela conseguirá superar os preconceitos
sociais dos grandes aristocratas ingleses, tão ciosos e orgulhosos de seus
privilégios?
Grahame-Smith transfigura as famosas passagens do texto de
Jane Austen numa deliciosa comédia de costumes. Além dos embates civilizados e
repletos de cortesia entre o casal de protagonistas, inclui batalhas violentas,
em confrontos cheios de sangue e ossos quebrados. Conjugando amor, emoção e
lutas de espada com canibalismo e milhares de cadáveres em decomposição,
"Orgulho e preconceito e zumbis" transforma uma obra-prima da
literatura mundial em outra história que você realmente terá vontade de ler.
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Um dos maiores nomes da literatura inglesa, Jane Austen
escreveu clássicos como Orgulho e Preconceito. Embora seus livros tenham
interessantes histórias de amor, a vida amorosa da autora nunca foi considerada
notável. Esse foi o ponto de partida para Syrie James, estudiosa de Austen,
criar uma versão romanceada sobre a vida da aclamada escritora. E se memórias
escritas pela própria Austen fossem descobertas, revelando um grande caso de
amor? Escrito em um estilo próximo ao da própria escritora britânica, As
memórias perdidas de Jane Austen é um livro notável, irresistível para qualquer
um que ame Jane Austen – ou grandes romances.













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